segunda-feira, 14 de abril de 2014

A um click tsc tsc tsc -

                                                                                                        Angélica Cardoso


Então, depois daquela noite eu decidi parar de escrever pra ele. Cansei, nenhum texto foi enviado e ele nunca teve a oportunidade de saber o que eu pensava. Mas isso também não importa, ele não se importa. Dos 2823 textos escritos ele não leu nenhum, e nem leria se eu tivesse dado a ele o meu bom e velho caderninho.
Mas eu leio, e releio e essa saga já dura alguns bons anos, sempre que preciso esquecer que o amo, eu leio o bendito; Com o passar do tempo os textos começaram a ser escritos numa tela mágica, em que basta 2 minutos de coragem desmedida para chegar ao destinatário. E não é que eu ainda escrevo pra ele? Me assusto com a possibilidade de no meio dessa loucura, confessar todos os meus desejos insanos e revelar aqueles textos que nem tenho mais coragem de ler. Dia desses eu me afoguei numa garrafa de Plavac Mali, e meu desobediente censo de ridículo falhou, lá estava indelével em sua caixa de entrada o meu humilde texto. Justamente aquele que eu jurei que nunca mandaria, ele revelava bem mais do que eu mesma sabia; " Eu não teria coragem de te contar, nem mesmo depois de todas as doses possíveis de um destilado, que hoje fazem 15 anos, 7 meses e 29 dias desde a primeira vez em que nos beijamos, também não diria que ainda lembro cada movimento do seu corpo, ou a roupa que você que estava usando, seu cheiro, bem o cheiro não conta, ele está em mim até hoje. Não poderia nunca te revelar o como me sinto, quando encosto na parede da sala, naquele mesmo lugar aonde  me encostou e, pra falar a verdade acho que estou lá até hoje, fiquei emoldurada naquele meio metro quadrado onde meu corpo deixou de ser meu e passou a te pertencer". E lá estava, dentro da sua caixa o meu maior erro. Volta, volta, não dá mais, já cliquei pra enviar...

... você está digitando: " :) <3 "

E não cabendo mais na vergonha que me assolava eu digito:

...é só um texto bobo e sem fundamento

... você saiu da conversa

E então, volto ao meio da sala e me sento em frente a nossa parede, pra assistir mais um capítulo da nossa história. Estamos eu, a taça de plavac e o humilhante caderninho. É quando começa a seção,  ele me abraça como se não existisse mais o mundo lá fora, com fome, com sede, com olhar de menino e paixão de gente grande, e eu o faço meu personagem favorito, te devolvo em calor e transformo em beijos a noite mais especial da minha vida. 
A bateria vai acabar, e nem mais um click, vou ter a oportunidade de pensar antes enviar, e ele não vai saber até que eu tome o próximo porre.

...estou digitando, preciso andar logo, aproveitar a coragem absurda que álcool me deu
... eu te amo, nem mais um click (a bateria acabou).



Amor bipolar - Nem é amor, vai! -

                                                                                                         Angélica Cardoso


Todas as vezes em que precisei usar um porquê, ele foi minunciosamente estudado, para não fragmentar um sonho. Agora peraí, vamos lá você desistiu? Sim você desistiu, não aguentou a dificuldade de lutar, de olhar nos olhos, de me ver te encarando a cada palavrão que você dizia, não suportou o fato de abrir a porta eu estar deitada na sua cama, te esperando pra fazer sei lá oquê. Você desistiu quando viu que eu queria paixão de 4 dias e amor pra vida inteira, você desistiu quando se irritou e bateu a porta, só porque não conseguiu me esquecer. Tá bom confessa vai, eu não fui seu passatempo, não deu pra fazer como fazia com as outras, dessa vez você se apegou. Só pra saber, não adianta fugir e nem adianta fingir, seus olhos te traíram todas as vezes em que me negou amor. Embora conteste o meu amor, e acredite que eu só ame um personagem, eu te digo: é verdade, é daí? Não te dou mais explicações, eu nem tenho explicação; eu amo desesperadamente um louco bipolar que não existe... 
Apesar de ter achado a resposta dos porquês, eu não achei nada. Eu ainda tô procurando, eu procuro todo dia, e cada dia a resposta é diferente; ela depende de seu humor. Só sei que na segunda, eu sou a maior idiota do mundo e na quinta a mulher mais desejada. Nesses dias eu preciso não pensar em você, preciso manter a linha dura que eu venho fazendo, mentira eu penso sim o dia todo, eu sou uma babaca. Você quer dormir lá em casa? Ou podemos continuar a conversa aqui no chat? Você disse que o desejo não morre, pode sobreviver  a distância, a saudade, a lacuna, e as vezes eu acabo concordando, mas hoje eu não quero concordar. Meu desejo é de você, e não estou disposta a esperar, quero agora com urgência. Essa foi a semente que você plantou, e agora quer matar de tanta água. Para, eu não vou crescer no grito, vou me afogar, vou me acabar, mesmo sabendo que eu não te quero mais. Você diz que ama, e eu não sei mais falar disso, mas eu vou reaprender; vou nada, eu não quero. Eu quero ESQUECER que você aquece os meus pés, que me provoca calores que se igualam a estar à 1000 metros do sol, que ninguém coloca os meus cabelos atrás da orelha como você, só com a pontinha do dedo, só quero esquecer aquela frase que você fala bem baixinho no meu ouvido e pronto, já estão completas as preliminares. Mas você desistiu, ou não resistiu... 
 Esse texto é sobre mim, apesar de repetir inúmeras vezes a palavra você..  Chega. Hoje o analista me disse que sou bipolar, que os meus porquês tem respostas variadas.  Não acreditei em uma palavra do que ele disse. Mas sabe, ele tem toda razão. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Encerrar ciclos



Tão necessário e tão difícil... 
Principalmente quando não nos convencemos de que tais momentos já acabaram, continuo na busca por uma paz controversa, essa paz que eu não sei se quero, ( eu quero, mas tb quero a guerra que esse sentimento me provoca) a minha luta é diária, a travo todos os dias quando acordo e me rendo a noite quando vou deitar... As vezes tenho a ilusão que passou, mas não passa, no fundo eu sei que ele ainda está aqui. Talvez o caminho seja achar a cura ( só pode ser doença) e tenho a sensação que me livrar dele seria como tirar um órgão por opção; Como viver sem uma parte essencial??? O dilema continua....