segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um amor para recordar - Nicholas Sparks


Quando eu tinha 17 anos, a minha vida mudou para sempre.

Eu sei que há pessoas que se surpreendem quando digo isso. Elas me olham de maneira estranha, como se estivessem tentando imaginar o que poderia ter acontecido naquela época, embora eu raramente tente explicar. Como morei aqui durante a maior parte da minha vida, tenho a sensação de que não preciso fazer isso, a menos que seja nos meus termos. E isso levaria mais tempo do que a maioria das pessoas está disposta a me dar. A minha história não pode ser resumida em duas ou três frases; não pode ser colocada em um embrulho simples e elegante, que seria entendido imediatamente pelas pessoas. Embora 40 anos tenham passado, as pessoas que ainda moram aqui e que me conheceram naquele ano aceitam essa minha falta de explicações sem questionar. De certa forma, a minha história também é a deles, pois é uma experiência pela qual todos nós passamos.
Entretanto, estive mais próximo do que qualquer outro.

Estou com 57 anos, mas ainda lembro de tudo o que aconteceu naquele ano, em seus mínimos detalhes. Eu sempre revivo aquele ano em minha mente, trazendo-o de volta à vida, e sinto uma estranha combinação de tristeza e alegria quando o faço. Há momentos em que desejo fazer o tempo voltar e apagar toda a tristeza, mas tenho a sensação de que, se o fizesse, também apagaria a alegria. Assim, revivo as memórias da forma como vêm, aceitando todas elas, deixando que me guiem sempre que possível. Isso acontece com mais frequência do que as pessoas percebem.
É 12 de abril, no último ano antes da virada do milênio, e, quando saio de casa, olho ao redor. O céu está carregado de nuvens cinzentas, mas, conforme ando pela rua, percebo que as magnólias e azaleias estão florescendo. Eu puxo o zíper da minha jaqueta um pouco para cima. A temperatura está fria, mas sei que em algumas semanas o tempo ficará mais agradável, e os céus cinzentos darão lugar aos dias que fazem da Carolina do Norte um dos lugares mais belos do mundo.
Com um suspiro, sinto que tudo está voltando para mim. Eu fecho os olhos e os anos começam a passar de trás para frente, lentamente, como os ponteiros de um relógio girando ao contrário. Eu me observo rejuvenescer, como se estivesse vendo através dos olhos de outra pessoa; vejo meu cabelo mudar de cor, de grisalho para castanho; sinto as rugas ao redor dos meus olhos suavizarem, meus braços e pernas ficam mais vigorosos, as lições que aprendi com a idade ficam menos claras, e resgato minha inocência conforme aquele ano memorável se aproxima.
Então, assim como eu, o mundo começa a mudar. Estradas estreitam e algumas voltam a estar pavimentadas apenas com cascalho; o desenvolvimento dos subúrbios é substituído por sítios e fazendas, as ruas do centro estão cheias de gente olhando as vitrines enquanto passam pela confeitaria Sweeney’s e o açougue Palka’s. Os homens usam chapéus, as mulheres usam vestidos. No tribunal logo adiante, o sino da torre toca...
Eu abro os olhos e paro. Estou do lado de fora da igreja batista, e quando olho para o frontão da estrutura, sei exatamente quem sou.
Meu nome é Landon Carter, e tenho 17 anos.

Esta é a minha história — eu prometo contar tudo e não deixar nada de fora.

No início você vai sorrir, e depois vai chorar — não diga que não avisei.
Minha opinião: Sem igual, muito bom.
"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não sente ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."

Um comentário:

  1. Assim começa o livro... chama a atenção e fica com vontade de continuar. Ainda não li nada dele. Obrigada pela dica.
    Abç
    Cinai Machado

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