quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O amor - Carlos Drummond de Andrade


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração para de funcionar 
por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da 
sua vida.
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso 
entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o 
dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos 
encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de 
ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um 
presente divino: o amor.
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca 
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais 
que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a 
outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las 
com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer 
momento de sua vida.
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela 
estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, 
mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos 
emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que 
está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira 
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, 
tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir 
morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma 
dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou 
encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem 
atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer 
verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as 
loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry


Em homenagem ao dia das crianças, estou postando hoje o primeiro livro que ganhei de presente, aos 7 anos  ainda não conseguia entender completamente a leitura, mas me apaixonei por alguns trechos,  foi  aí que  começou a minha paixão pelos livros. 
Por meio de uma narrativa poética, o livro apresenta uma visão de mundo e mergulha no próprio inconsciente, reencontrando a criança de cada um de nós.

À primeira vista, um livro para crianças. Na definição de Antoine Saint-Exupéry, seu autor, "um livro urgentíssimo para adultos", o que talvez explique a extraordinária sobrevivência literária de O pequeno príncipe.
Publicado pela primeira vez em 1943 na Nova York em que foi escrito e, no ano seguinte, na França, o livro chegou à AGIR com o componente de acaso que, em geral, cerca a edição de fenômenos editoriais, já que a obra havia sido comprada por outra tradicional editora brasileira, que desistiu da publicação. Traduzida primorosamente por D. Marcos Barbosa, a versão brasileira chegou à livrarias em 1952, tendo vendido desde então mais de 4 milhões de exemplares.
Le Petit Prince, The Little Prince, El Principito, Der Kleine Prinz - em qualquer uma das mais de 150 línguas em que é publicado, causa encanto a história do piloto cujo avião cai no deserto do Saara, onde ele encontra um príncipe, "um pedacinho de gente inteiramente extraordinário" que o leva a uma jornada filosófica e poética através de planetas que encerram a solidão humana em personagens como o vaidoso, capaz de ouvir apenas elogios; o acendedor de lampiões, fiel ao regulamento; o bêbado, que bebia por ter vergonha de beber; o homem de negócios que possuía as estrelas contando-as e econtando-as em ambição inútil e desenfreada; a serpente enigmática; a flor a qual amava acima de todos os planetas.
"Na primeira noite adormeci pois sobre a reai, a milhas e milhas de qualquer terra habitada. Estava mais isolado que o náufrago numa tábua, perdido no meio do mar. Imaginem então a minha surpresa, quando, ao despertar do dia, uma vozinha estranha me acordou. Dizia:- Por favor desenha-me um carneiro!"


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um amor para recordar - Nicholas Sparks


Quando eu tinha 17 anos, a minha vida mudou para sempre.

Eu sei que há pessoas que se surpreendem quando digo isso. Elas me olham de maneira estranha, como se estivessem tentando imaginar o que poderia ter acontecido naquela época, embora eu raramente tente explicar. Como morei aqui durante a maior parte da minha vida, tenho a sensação de que não preciso fazer isso, a menos que seja nos meus termos. E isso levaria mais tempo do que a maioria das pessoas está disposta a me dar. A minha história não pode ser resumida em duas ou três frases; não pode ser colocada em um embrulho simples e elegante, que seria entendido imediatamente pelas pessoas. Embora 40 anos tenham passado, as pessoas que ainda moram aqui e que me conheceram naquele ano aceitam essa minha falta de explicações sem questionar. De certa forma, a minha história também é a deles, pois é uma experiência pela qual todos nós passamos.
Entretanto, estive mais próximo do que qualquer outro.

Estou com 57 anos, mas ainda lembro de tudo o que aconteceu naquele ano, em seus mínimos detalhes. Eu sempre revivo aquele ano em minha mente, trazendo-o de volta à vida, e sinto uma estranha combinação de tristeza e alegria quando o faço. Há momentos em que desejo fazer o tempo voltar e apagar toda a tristeza, mas tenho a sensação de que, se o fizesse, também apagaria a alegria. Assim, revivo as memórias da forma como vêm, aceitando todas elas, deixando que me guiem sempre que possível. Isso acontece com mais frequência do que as pessoas percebem.
É 12 de abril, no último ano antes da virada do milênio, e, quando saio de casa, olho ao redor. O céu está carregado de nuvens cinzentas, mas, conforme ando pela rua, percebo que as magnólias e azaleias estão florescendo. Eu puxo o zíper da minha jaqueta um pouco para cima. A temperatura está fria, mas sei que em algumas semanas o tempo ficará mais agradável, e os céus cinzentos darão lugar aos dias que fazem da Carolina do Norte um dos lugares mais belos do mundo.
Com um suspiro, sinto que tudo está voltando para mim. Eu fecho os olhos e os anos começam a passar de trás para frente, lentamente, como os ponteiros de um relógio girando ao contrário. Eu me observo rejuvenescer, como se estivesse vendo através dos olhos de outra pessoa; vejo meu cabelo mudar de cor, de grisalho para castanho; sinto as rugas ao redor dos meus olhos suavizarem, meus braços e pernas ficam mais vigorosos, as lições que aprendi com a idade ficam menos claras, e resgato minha inocência conforme aquele ano memorável se aproxima.
Então, assim como eu, o mundo começa a mudar. Estradas estreitam e algumas voltam a estar pavimentadas apenas com cascalho; o desenvolvimento dos subúrbios é substituído por sítios e fazendas, as ruas do centro estão cheias de gente olhando as vitrines enquanto passam pela confeitaria Sweeney’s e o açougue Palka’s. Os homens usam chapéus, as mulheres usam vestidos. No tribunal logo adiante, o sino da torre toca...
Eu abro os olhos e paro. Estou do lado de fora da igreja batista, e quando olho para o frontão da estrutura, sei exatamente quem sou.
Meu nome é Landon Carter, e tenho 17 anos.

Esta é a minha história — eu prometo contar tudo e não deixar nada de fora.

No início você vai sorrir, e depois vai chorar — não diga que não avisei.
Minha opinião: Sem igual, muito bom.
"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não sente ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."